22 novembro 2009

Artigo científico

ESTRANGEIRISMO CULINÁRIO: UM NOVO GOSTO AO NOSSO VERNÁCULO.[1]

Maira Dorneles da Silveira[2]

Sara Regina Scotta Cabral[3]

RESUMO:

O setor culinário movimenta grande parte da renda dos brasileiros. Cardápios de restaurantes procuram agradar a todos os paladares, e sendo assim, pratos de vários países fazem parte dos menus, trazendo estrangeirismos para o nosso léxico. Esse trabalho contempla os estrangeirismos presentes em cardápios de 5 restaurantes, dos quais, na análise dos resultados, encontrou-se grande influência da Itália e dos Estados Unidos.

PALAVRAS-CHAVE: morfologia, estrangeirismo, culinária.

INTRODUÇÃO

É cada dia mais evidente a presença dos estrangeirismos no cotidiano dos brasileiros, sendo necessário o entendimento dos termos oriundos de outros países.

Esse trabalho tem por objetivo analisar a influência que uma língua estrangeira pode exercer sobre nosso vernáculo. A meta desta pesquisa foi estabelecida devido ao grande número de palavras estrangeiras encontradas nos cardápios de restaurantes.

Para isso serão analisados 5 cardápios de restaurantes do Brasil. Os estrangeirismos foram, inicialmente, identificados, analisados e, logo após, listados, tendo identificadas suas origens. Os resultados apontam para o predomínio de termos oriundos da Itália e dos Estados Unidos.

Esse trabalho apresenta, inicialmente, conceitos, generalizações e aplicações acerca de estrangeirismos.

Na parte de Resultados e discussão, os estrangeirismos retirados dos cardápios são listados e é apresentada sua origem. Na conclusão podem ser observadas algumas curiosidades acerca dos termos analisados, bem como considerações sobre a influência dos estrangeirismos na culinária e no vernáculo brasileiro.

1. REVISÃO DA LITERATURA

Os estudos lingüísticos tiveram início em culturas e épocas e distintas.

Para Flôres (2004, p. 13), “é inútil tentar integrar todas as abordagens num espaço-tempo único, como se o contexto histórico-social não influísse, ou relacioná-las artificialmente, pois elas não têm por que entrar em relação, a não ser forçadamente”. Cada cultura fez a sua maneira, e esses estudos prosseguem, em paralelo, até os dias de hoje.

Especificamente na morfologia, duas culturas são consideradas as mais importantes: a oriental e a ocidental. A tradição ocidental teve por base o conhecimento filosófico e científico moldado por gregos e romanos. O conhecimento da morfologia na Grécia evoluiu da necessidade de criar um vocabulário técnico e conceitual. Essa cultura deixou como herança a palavra como unidade de estudo.

No Oriente, a busca de manutenção da tradição religiosa, na Índia antiga, foi a razão que incentivou os estudiosos a voltarem suas atenções para a pronúncia correta dos textos religiosos. Eles centravam-se na investigação da fonética articulatória, descrevendo as palavras a partir da identificação de combinações de segmentos fonológicos constantes.

De acordo com Flôres (2004, p. 14), “o fato é que, qualquer que seja a unidade considerada – palavras ou morfema -, uma não exclui a outra, antes a pressupõe, sem contudo com ela se identificar”.

Existindo a necessidade de escolha entre as duas, a palavra contempla o estudo dos verbos e os morfemas a análise sintagmática.

Dentro do processo de formação de palavras encontramos a perspectiva estruturalista e a funcionalista.

Para os estruturalistas os processos de formação de palavras são divididos em derivação (prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, imprópria e regressiva), composição (por justaposição e por aglutinação) e outros (sigla, redução, estrangeirismo, hibridismo e onomatopéia).

Já para os funcionalistas, os processos são divididos em derivação (prefixal, sufixal, parassintética, conversão e delocutiva), composição (com determinante e determinado, com determinado e determinante, coordenativa, sintagmática e sigla), outros processos (reduplicação, onomatopéia e extensão de sentido), importação de palavras, abreviação, neologismos e cruzamento vocabular.

Este trabalho contempla, através da visão funcionalista, o empréstimo de palavras (estrangeirismos) que, de acordo com o dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, significa: “influência forte da cultura, dos costumes etc. de determinada nação sobre outra ou sobre uma parcela significativa dos indivíduos desta” e lingüisticamente: “palavra ou expressão estrangeira num texto em vernáculo, tomada como tal e não incorporada ao léxico da língua receptora; peregrinismo, xenismo”

Ainda determinando o que são estrangeirismos, Ribeiro (s.d, p. 6) define como “os vocábulos que ainda não fazem parte do acervo lexical do idioma, é sentido como externo ao vernáculo dessa língua.”.

Os termos estrangeiros ainda geram estranhamento e muita polêmica acerca do seu uso, como comenta Santos (2008, p. 2), “para muitos, trata-se da defesa de um patrimônio nacional: esses estrangeirismos seriam sinais de empobrecimento e deturpação da língua, um fator de distanciamento da fala e da escrita padrão que seria preciso preservar em sua suposta pureza”. Em contraponto, muitos lingüistas “teorizam sobre o dinamismo da língua e sobre a contínua necessidade de transbordamento entre os diferentes sistemas lingüísticos.” (SANTOS, 2008, p. 2).

Todo estrangeirismo, num primeiro contato, é sentido como estranho ao vernáculo, porém de tanto usados no nosso dia a dia, muitos acabam tornando-se familiares e até mesmo sendo mais usados que as palavras em português.

2. METODOLOGIA

A presente pesquisa, de cunho qualiquantitativo, consistiu em um levantamento e uma análise de estrangeirismos presentes em cadápios de restaurantes.

Primeiramente, fizemos uma pesquisa no site de imagens do google, procurando imagens de cardápios de restaurantes do Brasil. Em seguida identificamos os estrangeirismos presentes nos mesmos.

Os termos foram analisados, sendo classificados e listados de acordo com suas origens.

Por fim, foram apresentadas algumas considerações acerca da presença de palavras estrangeiras no nosso dia a dia.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Esse trabalho ganha importância, uma vez que vivemos em uma sociedade globalizada, na qual culturas e línguas constantemente se misturam. Buscamos auxiliar no entendimento de palavras e expressões oriundas de outros países utilizadas em cardápios de restaurantes do Brasil. Através de uma pesquisa que analisou 5 cardápios, podemos notar a grande influência das culturas estrangeiras na nossa gastronomia e, consequentemente, no nosso vernáculo.

Abaixo serão listados os estrangeirismos encontrados, bem como sua origem.

Anexo A

Penne = italiano.

Talharim = italiano.

Espaguete = italiano.

Fuzilli = italiano.

Rosê = francês.

Bolonhesa = italiano.

Mussarela = italiano.

Catupiry = tupi-guarani.

Alcaparra = árabe.

Bacon = inglês.

Brócolis = italiano.

Champignon = francês.

Rúcula = italiano.

Orégano = grego.

Anexo B

Sanduíches = inglês.

Hambúrguer = alemão.

Omelete = francês.

Filé mignon = francês.

Talharim = italiano.

Nhoque = italiano.

Brócolis = italiano.

Anexo C

Hambúrguer = alemão.

Cheeseburger = inglês.

Cheesebacon = inglês.

Kid Cheddar = inglês.

Hot dog = inglês.

Hot cheese dog = inglês.

Big kid = inglês.

The kid = inglês.

Kid chicken = inglês.

Blizzard = inglês.

Milk shake = inglês.

Split splash = inglês.

Big simples = inglês.

Mini simples = inglês.

Love kid = inglês.

Bulldog = inglês.

Swing = inglês.

Strogonov = russo.

Let it be = inglês.

Salad = francês.

Carpaccio = italiano.

Cannelloni = italiano.

Ricotta = italiano.

Raviolli = italiano.

Tortelloni = italiano.

Light = inglês.

Anexo D

Hortelã = latim.

Parmesão = italiano.

Crouton = alemão.

Chucrute = francês.

Licor = latim.

Espaguete = italiano.

Rúcula = italiano.

Ricota = italiano.

Carpaccio = italiano.

Anexo E

Paella = espanhol.

Curry = inglês.

Hambúrguer = alemão.

Cheeseburguer = inglês.

Espaguete = italiano.

Penne = italiano.

Musarela = italiano.

Pizza = italiano.

Ao analisar os termos destacados, percebe-se que grande influência culinária vem da Itália e dos Estados Unidos. Os termos italianos são, geralmente, pratos como pizzas e massas, sendo os americanos, em sua grande maioria, “fast-foods”. Alguns termos alemães e franceses também podem ser notados, porém em menor número.

CONCLUSÃO

Este trabalho teve por objetivo buscar maior compreensão acerca de termos estrangeiros utilizados nos cardápios de restaurantes brasileiros e identificar de onde vem a maior influência para a nossa culinária. Observou-se, na análise dos termos encontrados, a grande presença de nomes de comidas estrangeiras. Isso pode ser justificado pela grande influência culinária vinda, principalmente, das massas da Itália e dos lanches rápidos dos Estados Unidos.

A utilização dos estrangeirismos nos cardápios é algo corriqueiro e torna-se complicado, hoje em dia, achar um cardápio totalmente em língua portuguesa. Sabe-se que algumas palavras sequer têm traduções em português para substituí-las.

Quando importamos a culinária de países, cujos falantes são de outros idiomas, certamente estamos importando também palavras para o nosso vernáculo.

REFERÊNCIAS

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Hitórica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1976.

FLÔRES, Onici. O peso das palavras: estudo morfológico funcionalista. Canoas: Ed. ULBRA, 2004.

HOUAISS. Dicionário eletrônico da língua portuguesa.

MICHAELIS, Moderno Dicionário Inglês. Disponível em: Acesso em: set. 2008.

RIBEIRO, Hilda Morais do Paraizo. A língua em constante evolução. Disponível em <http://www.feati.com.br/revista/artigos/marta/a_lingua.pdf> Acesso em: ago. 2008.

SANTOS, Olivia Niemeyer. X-burger em outdoor: uma questão de fronteiras. Disponível em: <http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/rtcom/article/view/147/146> Acesso em: nov. 2008.



[1] Trabalho apresentado na disciplina de Morfologia funcional – 2008/2.

[2] Acadêmica do curso de Letras da Universidade Luterana do Brasil Campus Cachoeira do Sul.

[3] Professora Dra. do curso de Letras da Universidade Luterana do Brasil Campus Cachoeira do Sul.

2 comentários:

  1. Tua criatividade é mil. Quando crescer quero ser que nem vc, hehehehehe

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  2. Cadê meu trabalho nessas referências, hein, hein, hein? Eu sei que fiz parte disso, aheuhauhe Beeju, May :*

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